sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

*Uma música distante, texto para o João


João! Este é o texto com final feliz! Faz um comentário do que achaste do fim que aqui apresento.

O sol ainda nem acabara de se espreguiçar no horizonte enquanto tênues pingos de chuva construíam uma espécie de teia multiespectral no espaço. Espalhados por um vento leve, bordavam o céu com minúsculos diamantes, tornando o crepúsculo matutino ainda mais belo ao se associarem aos tímidos raios de luz que enfeitavam a aurora. Não muito longe, um galo seresteiro pressagiava que o calor se anteciparia à água que vacilava em se lançar aos borbotões, espremida entre nuvens e ar. O canto insistente ressuscitava uma época rediviva na ave canora, mantida cativa em algum apartamento de interioranos que a trouxeram para a cidade, com o intuito de amenizar a saudade de um passado que, possivelmente, não almejavam esquecer. Aos poucos, abriram-se as cortinas do dia e a chuva ensaiada, em fuga, dera lugar a uma ensolarada manhã.

Duas janelas do edifício imponente, que sombreava a praça, escancararam-se como se movidas pelas mesmas teclas de um controle remoto manuseado pelo tempo. Que estranha mágica esse terrível controlador da vida e da morte lhes pregara para fazê-los compartilhar do mesmo espaço e não se identificarem? O homem, viúvo recente e sem filhos. A mulher? Já nem mais sabia que nome dar a sua condição social. Estado de direito, estado de fato, estado civil? Nem solteira, nem casada. Uma coisa! Em que tinha certeza era na vida, na amizade, na capacidade meio tardia de se reinventar e se reconstruir.

Acreditava ainda no amor com a mesma intensidade ingênua da adolescência; nos homens, não. Desgastara muitos anos de vida, dedicando-a a um estranho que aprisionara no pensamento, nunca reencontrado, mas levando-a a aceitar, rendida, um outro ser que a fizera deixar de querer uma vida diferente e melhor. Teria sido a mesmice, a aceitação do egoísmo do companheiro ou o medo, pacientemente injetado pela mãe, que a tornara submissa e temerosa em abrir as próprias asas e lançar-se à vida em busca de novos ventos? Somente agora se dava conta da passagem implacável dos anos. O espelho, no entanto, ainda revelava uma linda mulher. Rosto expressivo, olhos de um incrível azul celeste, sorriso de menina, cabelos bem cuidados, corpo esbelto, pernas bem torneadas, reluzentes como seda. Tudo nos devidos lugares. Uma leve insinuação de celulite estrategicamente escondida sob as partes internas das coxas. Nada que não pudesse escamotear de olhar mais desatento.

A música suave esbaldava-se pela janela aberta, ansiando por novos ares e sensíveis audiências. As flores, recostadas nos jardins da praça, ainda bocejantes, abriam-se tímidas, despertadas pelos primeiros raios do sol que já anunciava a Primavera. Em seu colorido exuberante, rosas, jasmins, amores-perfeitos e até as florezinhas silvestres pareciam sorrir aquecidas pelos incipientes reflexos luminosos. Ao mesmo tempo em que ensaiavam uma estranha dança, coreografada pela suave brisa matutina, insensíveis ao cacarejar do galo, descoordenadas, seguiam a sutil musicalidade oriunda do apartamento em frente. Do 312, subitamente, passou-se a ouvir a mesma música da morada oposta, Love me tender, orquestrada. As notas suaves da canção escapuliram pelas frestas da porta e se acomodaram sem pedir licença, nas lembranças dos vizinhos moradores.

Por inexplicável coincidência, ambos ficaram quietos e vivificaram aquele baile iniciado com o tradicional New York New York. O cavalheiro, destemido, moveu-se na cadeira, elevou o tronco, ciente de sua masculinidade. Um deus apolíneo. O olhar penetrante se volveu para a loirinha desconhecida, sentada em frente à orquestra. Ao iniciar Love me tender, endireitou os ombros, levantou-se como um touro bravo, instigado pelo aparente desinteresse da moça e se aproximou arrogantemente. Convidou-a para dançar. Os dois, embalados pelo som romântico da melodia, pareciam navegar por mares revoltos ou flutuar sobre nuvens perdidas no espaço. Amor à primeira vista ou canção impulsionadora do romantismo? Não sabiam... Naquele momento, entre os dois, só havia o desejo e o amor. Desejo de não mais se separarem, amor pelo sentimento se espargindo deles.

Súbito, o mesmo destino que une e separa pessoas, lançou sobre os dois bailarinos o seu catastrófico manto. Do emaranhado de fios, displicentemente ligados para gerarem a energia sonora do baile, faíscas crescentes tomaram conta do palco. Engalfinharam-se no etéreo tecido das cortinas e, alimentadas pela decoração feita em papel crepom, cresceram em labaredas irrequietas que se alastraram para as belas luminárias do salão. Aos poucos, a magia tétrica do fogo foi tomando conta de tudo. Correria geral. A pequena cidade, em pânico, aterrorizava-se e se via envolvida por uma claridade intensa, aquecida pela fogueira que consumia a bela edificação social em que o clube funcionava. Aos gritos, chamando-as pelos nomes, buscava pelas primas, enquanto se dirigia ao carro deixado por elas perto da praça. As duas já a esperavam. Uma, chorando. A outra, rindo meio embriagada ou nervosa pelo inesperado acontecimento.

Apressadas para fugirem do incêndio que, rápido, ia se alastrando, alimentado por um vento que nascera com a madrugada, ganharam o asfalto. Ainda incrédulas com o que acontecera, rumaram para as suas casas, distantes uns bons quilômetros daquela pequenina cidade, cujo endereço fora encontrado pelo espírito aventureiro da garota mais velha. No caminho de volta, as primas comentavam se não teriam sido movidas pelo egoísmo e fugido daquele jeito sem se preocuparem como tudo terminara. Teriam apagado o fogo, houvera vítimas? Na mente de Mariana, Love me tender ecoava sem parar. Junto com a música, aparecia o rosto, o destemor, o nome dele (César Augusto) e parecia-lhe ouvir o tum tum do outro coração batendo de encontro ao dela num ritmo descompassado da canção de amor. Não lembrava se lhe anunciara o próprio nome.

Nunca mais se viram, mas, na mente deles, acomodara-se, em definitivo, aquela música, aquele baile e a forçada separação. Nele, ficara a saudade do que não acontecera. Nela, a inquietação e a busca insôfrega de um estranho sentimento que se lhe apossara sem cerimônia. Talvez residisse, no nefasto acontecimento do passado, a aceitação do compartilhamento de vida com quem não amava e por quem sabia não ser amada como sonhara. Sem se dar conta, passou a associar o mesmo rosto do jovem perdido no passado ao do vizinho do apartamento 312. Quem sabe, um dia, tomaria coragem e lhe pediria emprestada uma xícara de açúcar, farinha talvez. Ou o convidaria, despudoradamente, para dançarem aquela música distante perdida no tempo, cujos acordes nunca deixara de escutar.

E se não a reconhecesse? O que faria dos anos de inconsciente espera que a consumiram? Lá fora, a noite antecipava violento temporal. As horas escorriam lentas, travadas pela angústia e pela expectativa de que o sol acordasse a manhã. Raios tingiam de ouro o céu enegrecido. Por breves e repetidos instantes, a noite se metamorfoseara em dia, tal era a claridade gestada pela fúria da natureza, como se destemido artesão enfeitasse a noite com incríveis fogos de artifício. Na mente dela, trovões repetiam um nome e o coração tamborilava aquela música num ritmo alucinante, cuja cadência se confundia com a irregularidade da respiração e do tumultuado sono. Revirava-se na cama. Nos esparsos momentos de sonolência, revia aquele baile. Em pesadelo, as labaredas, espalhadas pelo salão, fugiam dele e se lhe adentravam o cérebro, esparramando-se pelo quarto. Para se acalmar, fez tocar, no diminuto aparelho de som, à cabeceira da cama, a canção recolhida do passado, que gemia como uma súplica em busca de socorro ao desespero e solidão.

Finalmente, uma tênue claridade despertara-a em sobressalto. O galo caipira, com seu cocoricó teimoso, anunciava um novo alvorecer. Tateando sob a cama, encontrou as chinelinhas de veludo. No banheiro, deixou escorregar ao chão a camisola de seda. Vestiu a roupa escolhida no fim da tarde anterior. Higienizou-se apressada. Reuniu a loira cabeleira e amarrou-a displicentemente. Uma leve maquiagem camuflou a noite mal dormida. Ouvidos atentos, pressentira o único toque da campainha. Abriu a porta com o coração em fúria.

Só uma palavra pronunciada com ênfase: - Mariana?

Saudades de ti!


Por onde andas, Djeine, irmãzinha querida?

Estou com saudades imensas de ti e, para abrandá-las, aceita essa orquídea!

Marcas do que se foi



O conto que lhes reapresento hoje foi adaptado para participar da série "Brilhos de Ano Novo", a convite da jornalista Nivia Andres e titular do blog Interface Ativa! Por absoluta falta de tempo para criar um texto inédito, adaptei um que já havia publicado neste blog. Troquei-lhe o nome para

*Marcas do que se foi

O sol ainda nem acabara de se espreguiçar no horizonte enquanto tênues pingos de chuva construíam uma espécie de teia multiespectral no espaço. Espalhados por um vento leve, bordavam o céu com minúsculos diamantes, tornando o crepúsculo matutino ainda mais belo ao se associarem aos tímidos raios de luz que enfeitavam a aurora. Não muito longe, um galo seresteiro pressagiava que o calor se anteciparia à água que vacilava em se lançar aos borbotões, espremida entre nuvens e ar. O canto insistente ressuscitava uma época rediviva na ave canora, mantida cativa em algum apartamento de interioranos que a trouxeram para a cidade, com o intuito de amenizar a saudade de um passado que, possivelmente, não almejavam esquecer. Aos poucos, abriram-se as cortinas do dia e a chuva ensaiada, em fuga, dera lugar a uma ensolarada manhã.

Duas janelas do edifício imponente, que sombreava a praça, escancararam-se como se movidas pelas mesmas teclas de um controle remoto manuseado pelo tempo. Que estranha mágica esse terrível controlador da vida e da morte lhes pregara para fazê-los compartilhar do mesmo espaço e não se identificarem? O homem, viúvo recente e sem filhos. A mulher? Já nem mais sabia que nome dar a sua condição social. Estado de direito, estado de fato, estado civil? Nem solteira, nem casada. Uma coisa! Em que tinha certeza era na vida, na amizade, na capacidade meio tardia de se reinventar e se reconstruir.

Acreditava ainda no amor com a mesma intensidade ingênua da adolescência; nos homens, não. Desgastara muitos anos de vida, dedicando-a a um estranho que aprisionara no pensamento, nunca reencontrado, mas levando-a a aceitar, rendida, outro ser que a fizera deixar de querer uma vida diferente e melhor. Teria sido a mesmice, a aceitação do egoísmo do companheiro ou o medo, pacientemente injetado pela mãe, que a tornara submissa e temerosa em abrir as próprias asas e lançar-se à vida em busca de novos ventos? Somente agora se dava conta da passagem implacável dos anos. O espelho, no entanto, ainda revelava uma linda mulher. Rosto expressivo, olhos de um incrível azul celeste, sorriso de menina, cabelos bem cuidados, corpo esbelto, pernas bem torneadas, reluzentes como seda. Tudo nos devidos lugares. Uma leve insinuação de celulite estrategicamente escondida sob as partes internas das coxas. Nada que não pudesse escamotear de olhar mais desatento.

A música suave esbaldava-se pela janela aberta, ansiando por novos ares e sensíveis audiências. As flores, recostadas nos jardins da praça, ainda bocejantes, abriam-se tímidas, despertadas pelos primeiros raios do sol que já anunciava a permanência do Verão. Em seu colorido exuberante, rosas, jasmins, amores-perfeitos e até as florezinhas silvestres pareciam sorrir aquecidas pelos incipientes reflexos luminosos. Ao mesmo tempo em que ensaiavam uma estranha dança, coreografada pela suave brisa matutina, insensíveis ao cacarejar do galo, descoordenadas, seguiam a sutil musicalidade oriunda do apartamento em frente. Do 312, subitamente, passou-se a ouvir a mesma música da morada oposta, Love me tender, orquestrada. As notas suaves da canção escapuliram pelas frestas da porta e se acomodaram sem pedir licença, nas lembranças dos vizinhos moradores.

Por inexplicável coincidência, ambos ficaram quietos e a ainda bela mulher vivificou aquele baile de fim de ano, iniciado com o tradicional New York New York. O cavalheiro, destemido, moveu-se na cadeira, elevou o tronco, ciente de sua masculinidade. Um deus apolíneo. O olhar penetrante se volveu para a loirinha desconhecida, sentada em frente à orquestra. Ao iniciar Love me tender, endireitou os ombros, levantou-se como um touro bravo, instigado pelo aparente desinteresse da moça e se aproximou arrogantemente. Convidou-a para dançar. Os dois, embalados pelo som romântico da melodia, pareciam navegar por mares revoltos ou flutuar sobre nuvens perdidas no espaço. Amor à primeira vista ou canção impulsionadora do romantismo? Não sabiam... Naquele momento, entre os dois, só havia o desejo e o amor. Desejo de não mais se separarem, amor pelo sentimento se espargindo deles.

Súbito, o mesmo destino que une e separa pessoas, lançou sobre os dois bailarinos o seu catastrófico manto. Do emaranhado de fios, displicentemente ligados para gerarem a energia sonora do baile, faíscas crescentes tomaram conta do palco. Engalfinharam-se no etéreo tecido das cortinas e, alimentadas pela decoração feita em papel crepom, cresceram em labaredas irrequietas que se alastraram para as belas luminárias do salão. Aos poucos, a magia tétrica do fogo foi tomando conta de tudo. Correria geral. A pequena cidade, em pânico, aterrorizava-se e se via envolvida por uma claridade intensa, aquecida pela fogueira que consumia a bela edificação social em que o clube funcionava. Aos gritos, chamando-as pelos nomes, buscava pelas primas, enquanto se dirigia ao carro deixado por elas perto da praça. As duas já a esperavam. Uma, chorando. A outra, rindo meio embriagada ou nervosa pelo inesperado acontecimento.

Apressadas para fugirem do incêndio que, rápido, ia se alastrando, alimentado por um vento que nascera com a madrugada, ganharam o asfalto. Ainda incrédulas com o que acontecera, rumaram para as suas casas, distantes uns bons quilômetros daquela pequenina cidade, cujo endereço fora encontrado pelo espírito aventureiro da garota mais velha. No caminho de volta, as primas comentavam se não teriam sido movidas pelo egoísmo e fugido daquele jeito sem se preocuparem como tudo terminara. Teriam apagado o fogo, houvera vítimas? Na mente de Mariana, Love me tender ecoava sem parar. Junto com a música, aparecia o rosto, o destemor, o nome dele (César Augusto) e parecia-lhe ouvir o tum tum do outro coração batendo de encontro ao dela num ritmo descompassado da canção de amor. Não lembrava se lhe anunciara o próprio nome.

Nunca mais se viram, mas, na mente dela, acomodara-se, em definitivo, aquela música, aquele baile e a forçada separação. Nele, talvez tenha ficado a saudade do que não acontecera. Nela, a inquietação e a busca insôfrega de um estranho sentimento que se lhe apossara sem cerimônia. Talvez residisse, no nefasto acontecimento do passado, a aceitação do compartilhamento de vida com quem não amava e por quem sabia não ser amada como sonhara. Sem se dar conta, passou a associar o mesmo rosto do jovem perdido no passado ao do vizinho do apartamento 312. Quem sabe, um dia, tomaria coragem e lhe pediria emprestada uma xícara de açúcar, farinha talvez. Ou o convidaria, despudoradamente, para dançarem aquela música distante perdida no tempo, cujos acordes nunca deixara de escutar.

E se não a reconhecesse? O que faria dos anos de inconsciente espera que a consumiram? Lá fora, a noite antecipava violento temporal. As horas escorriam lentas, travadas pela angústia e pela expectativa de que o sol acordasse a manhã. Raios tingiam de ouro o céu enegrecido. Por breves e repetidos instantes, a noite se metamorfoseara em dia, tal era a claridade gestada pela fúria da natureza, como se destemido artesão enfeitasse a noite com incríveis fogos de artifício. Na mente dela, trovões repetiam um nome e o coração tamborilava aquela música num ritmo alucinante, cuja cadência se confundia com a irregularidade da respiração e do tumultuado sono. Revirava-se na cama. Nos esparsos momentos de sonolência, revia aquele baile. Em pesadelo, as labaredas, espalhadas pelo salão, fugiam dele e se lhe adentravam o cérebro, esparramando-se pelo quarto. Para se acalmar, fez tocar, no diminuto aparelho de som, à cabeceira da cama, a canção recolhida do passado, que gemia como uma súplica em busca de socorro ao desespero e solidão.

Finalmente, uma tênue claridade despertara-a em sobressalto. O galo caipira, com seu cocoricó teimoso, anunciava um novo alvorecer. Tateando sob a cama, encontrou as chinelinhas de veludo. No banheiro, deixou escorregar ao chão a camisola de seda. Vestiu a roupa escolhida no fim da tarde anterior. Higienizou-se apressada. Reuniu a loira cabeleira e amarrou-a displicentemente. Uma leve maquiagem camuflou a noite mal dormida. Ouvidos atentos, pressentira o único toque da campainha. Abriu a porta com o coração em fúria.

Não era ninguém. A expectativa gerara-lhe uma malévola brincadeira. Retornou ao quarto. Apanhou a bolsa. Iria ao supermercado. Lá, compraria todos os produtos para criar uma magnífica ceia para comemorar a entrada de mais um ano.

Tomou o elevador. Movimentara-se por apenas um andar. Parou. Articulando um indiferente bom dia, entrou o homem, habitante cativo de seu afeto. Com o coração em sobressaltos, percebeu que não a reconhecera. Estaria tão diferente ou, para ele, não passara de mais uma jovenzinha que convidara a bailar? Tudo indicava que sim! Em silêncio, ouvia as batidas aceleradas do coração. Uma súbita vontade de chorar foi se apossando dela. Perdera a juventude à espera da realização de um sonho de amor que só lhe existia no pensamento. Finalmente, o elevador chegou a seu destino. Gentilmente, o cavalheiro deu prioridade à saída da dama.

Já na rua, soltou a loira cabeleira. Movida por uma força interna, queria transformar-se numa nova mulher, que célere, correria atrás do tempo perdido. Afinal, já se anunciava um novo ano. Junto com ele, forjaria uma nova vida. Instintivamente, começou a cantar baixinho:

Este ano, quero paz no meu coração,

Quem quiser ter um amigo, que me dê a mão.

O tempo passa e com ele caminhamos,

Todos juntos sem parar

Nossos passos pelo chão vão ficar

Marcas do que se foi, sonhos que vamos ter

Como todo dia nasce, novo em cada amanhecer.

Comentários sobre o meu texto


Os comentários abaixo fazem parte do blog Interface Ativa! de Nivia Andres e foram feitos em realação ao conto "Marcas do que se foi", que reproduzi acima. Como fiquei felicíssima com o que escreveram sobre ele, arrastei os comentários e os colei aqui.

Nivia Andres disse...
Boa tarde, amigos e amigas!
 Hoje recebemos mais um belo presente de nossa querida Arlete Gudole Lopes, um conto magistralmente tecido com os fios de ouro da vida, tão real que podemos visualizar os passoas da personagem, sentir o que lhe passa na alma, tão clara é a exposição de suas emoções. Igualmente bela é a descrição da natureza, do dia amanhecendo, desenovelando-se das sombras da noite, como o novo ano que vem surgindo... Espero que sejam muito belos e cheios de emoções os dias do Ano Novo que se aproxima, a passos largos, para todos nós! A você, querida Arlete, e a todos os amigos e amigas que nos visitam no blog e são companheiros muito estimados, meu desejo de muitas alegrias em 2011 e que todos tenham a coragem de reinventar-se, pois a vida nada mais é do que uma sucessão de idas e vindas que só dependem da força dos nossos passos.
 Beijos a todos!
Cristina disse...
Prezada Sra. Arlete Gudole Lopes
 Gostei demais do seu conto. Um belo presente de final de ano, patrocinado pela querida Nivia Andres. Como leitora, só tenho que agradecer a oportunidade de poder ler e me encantar com os contos aqui apresentados. Se fosse um concurso, seria dificil escolher o melhor. Que possamos contar sempre com sua brilhante presença e que seu Ano Novo seja o renascer de sonhos e boas realizações.
Feliz Ano Novo!
Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...
Prezada articulista Arlete Gudole Lopes!
Fiquei enternecido com este conto, que deixou-me também melancólico com a solidão da personagem. Destaco ainda a riqueza de detalhes do cenário, que nos possibita divagar sobremaneira...
Até breve... João Paulo de Oliveira Diadema-SP







Mais uma vez a minha passagem por esse admirável espaço não foi em vão.
Fiquei muito engrandecido interiormente por essa magnífica crônica que só aumentou o meu cabedal de conhecimentos.

Valentim Miron


Blogger João disse...
Delícia de conto!! Sabe qua aqui na minha cidade aconteceu isso de o Clube Recreativo incendiar-se em pleno baile. Era um prédio tão lindo, mais que centenário. Em seu lugar construíram outro, quadradão e bem feioso. Arlete, parabéns pela leveza e romantismo de tuas palavras mas gostaria de ler uma continuação, com final feliz.
Teu conto fez-me lembrar daquele filme espanhol "Elza e Freddy".

UM FELIZ ANO NOVO A TODOS VOCÊS!!!
Forte abraço
João

Adeus ano velho

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Réveillon, com que cor eu vou?


Qual a cor da roupa que se pode vestir no Réveillon?

*"Uma das superstições mais comuns em todo o mundo é a roupa que se deve vestir na passagem do ano.


Já que um novo ano está nascendo com mil e uma coisas para serem feitas e descobertas, nada mais natural que o clima de renovação se reflita também em suas roupas que devem ser novas.

Se o dinheiro estiver curto, roupas íntimas já dão conta do recado.
No Brasil, a cor mais usada é a branca, devido à forte influência da cultura e da religião africana, que acredita que esta cor traz boas vibrações.

Outra cor muito usada por aqui é a rosa, que também significa paz e amor. Calcinhas cor-de-rosa são as mais cotadas entre as solteiras que estão à procura de um par.

Apesar disso, o significado das cores varia a cada país, região, cultura, etc.

Branco

Vista-se de branco para ter um ano repleto de paz, verdade, sabedoria e calma. O branco repele as energias negativas e eleva as vibrações. Estimula a memória e gerencia o equilíbrio interior.

Amarelo

Utilize esta cor para ter dinheiro e riqueza e sabedoria durante todo o ano. Esta cor ajuda também a estimular a intuição.

Rosa

O rosa é o resultado da mistura do vermelho e do branco. Da mesma maneira é seu significado. Para obter felicidade no amor, pureza e beleza durante 2011, vista-se desta cor que ajuda também a afastar as energias negativas.

Vermelho

Para ter 12 meses de muita paixão, força e energia, ao menos pinte as unhas com esta cor. Isso já vai garantir um ótimo resultado.

Azul
A cor do céu e do mar traz paz de espírito e segurança. Tranqüilidade, harmonia e saúde, também são provenientes desta cor.

Verde
O verde é a cor mais harmoniosa de todas. Representa as energias da natureza, esperança, equilíbrio e recomeço. Renova as energias trazendo vida nova junto ao novo ano.

Laranja

Atrai sucesso monetário. Ajuda nas conquistas pessoais e profissionais. Se você está aguardando aquela promoção, ou mesmo está procurando um emprego, encontrou a cor certa.


Violeta

A cor violeta traz junto com o novo ano inspiração, imaginação e estabilidade. Esta cor também eleva a autoestima e ajuda a manter o foco de um objetivo."

Vestindo-se da cor que  escolher, o que importa é o estado de espírito, o alto astral, a alegria e o desejo de ser feliz. O resto?
Deixe para o ano de 2012.

Um excelente 2011!

* Minhas sinceras escusas ao autor do texto. Em minhas "viagens" pela internet, sempre às pressas, esqueci-me de copiar o blog. Ao sair dele e ao tentar retornar, não consegui mais encontrá-lo.

Nossa Canção, Roberto Carlos

Não poderia deixar que 2010 morresse sem uma "musiquinha" do Roberto Carlos.

Hoje, ofereço a todos os seus fãs esta bela canção.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Se beber, não dirija!

Há poucos dias, postei aqui um texto meu intitulado "O outro lado da dor". Complemento-o, hoje, com este filme, enviado por minha irmã Adejane, grande incentivadora deste blog.


Assistam-no e o divulguem. Que sabe muitas vidas não serão poupadas se conscientizarem  alguém a "se beber, não dirija! A vítima pode ser você!"

 Se cada um de nós comover uma ou mais pessoas, estaremos dando mais um passo em direção à vida. 

O que vocês vão ver são imagens reais. Chocantes! Todavia, se cenas assim fossem divulgadas pelas televisões do país, provavelmente, não haveria tantos jovens e inocentes mortos em acidentes de carro.

Direção e bebida não combinam!

Pensem nisso! Divulguem este vídeo e, de quebra, este blog!



Música inesquecível 2

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Amar, verbo intransitivo...

Só flores

Olhem estas fotos que encontrei no site fotocommunity. Não são lindas?

Quando falo do belo, do bom ou teço elogios sobre a beleza das pessoas ou coisas, aqui em casa, por marido e filhos, sempre o meu juízo de valores é posto sob suspeição. Isso porque, segundo eles, tenho uma visão bastante distorcida de alguém ou de algo. Contradito-os, argumentando que é assim que procuro olhar a vida e os seres que a compõem: vejo-os com os olhos do coração. Procuro enxergar o que cada um tem de mais bonito e de bom. Se é bonito, digo que é muito bonito. Se é bondoso, se é rico, se é inteligente, não poupo os superlativos.

O feio deixo para os pessimistas, os amargos, os indiferentes, porque estes, sim, buscam neles o que há de pior e deixam de vislumbrar qualidades relevantes.  Não é de hoje que encaro desse jeito a vida, os valores e as pessoas. Desde pequenina, já buscava manter acesa essa visão de mundo, esse lado que, segundo os meus, é meio alienado e meio avestruz. Verdade! Prefiro ter em mente a famosa frase poema de Antoine Éxupery ( “Os olhos são cegos. Só se vê bem com o coração”) a fazer julgamentos desabonadores sobre alguém ou alguma coisa.

Creio que reside nisso a capacidade quase inesgotável  que tenho (e persigo) de ser feliz. Para me proteger, aprendi a aceitar as pessoas, abrandando os defeitos delas. Jamais olvido de que “se não tenho nada de bom a dizer sobre alguém, não digo nada!”

Agora, se alguém disser que alguma dessas flores é feia, então, realmente, sou cega mesmo e vou continuar a "enfiar a cabeça na areia como o fazem os avestruzes
! O mundo e as pessoas são feias? Não quero enxergá-los...




















segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Previsões para depois de 2018


O que dá para chorar, a gente ri...
O carteiro que roubava os cheques dos velhos aposentados e pensionistas, belo dia morre e vai para o inferno.
Lá encontra o diabo que lhe diz:

- Como castigo pelos teus pecados em vida, vais ficar uma eternidade dentro de um imenso tanque cheio de merda e atolado até o queixo!

Ele olha para o lado e vê a Dilma dentro do mesmo tanque com a merda só pela cintura.

O carteiro irritado, chama o diabo e reclama:

- Desculpa aí, pô, mas assim não dá!! Tem dó, eu não roubei tanto
assim! Só roubei o dinheiro dos aposentados lá da minha  cidadezinha, mas nunca ninguém conseguiu provar nada contra mim e estou aqui quase afogado em merda, enquanto a Dilma, que roubava cofres na ditadura, mentiu, matou e roubou e engana os pobres com o bolsa-esmola está atolada em merda só até a cintura?!

O diabo, muito zangado, olha para a Dilma e grita:

- Dilma! Sai já de cima da cabeça do Lula!!!


Aos Dilmistas e Lulistas, para ser desculpada, aceitam estas lindas flores!



domingo, 26 de dezembro de 2010

Tudo pode mudar!




De 2010, vou levar muita coisa...
Uma lágrima eterna, um abraço apertado,
Um comentário engraçado, uma dorzinha no peito.
teu jeito de olhar, muitos pontos de interrogação,
vários sins e um duvidoso e inseguro não...

Minha bagagem esta demais e completa...

E sendo assim vou pegar uma reta
e cair direto de cara para um novo desafio: viver.
Viver sem me preocupar com as contas, a janta,
Sem tanta insegurança, sem safenar meu coração...

Viver sem aquela chata indecisão de tentar a sorte
ou viver na contra-mão dos acontecimentos,
atropelando a todos e especialmente os meus sentimentos.


É, ano que vem promete...Vou pintar o sete!!
E também os meus cabelos, vou dar minha cara a tapa
e a esteticista, não posso ficar na pista!!

Vou bagunçar o coreto e o ” correto “
E pouco me importo no que isso vai acarretar...


Vou tentar ralar e descascar menos
para deitar e rolar com minha filha...
Vou cruzar pontes e se o outro é uma ilha,
vou mostrar que sol nasce para todos...

É...Vou fazer diferente! É, vou fazer a diferença!

Vou sair da indiferença, da invisibilidade,
do degredo, do medo, da saudade...
Quem está na chuva é para se molhar!
Pois, então, que venha uma tempestade de alegria,
um tornado de poesia, um ano de harmonia...


Pode vir quente que eu estou derretendo...
Eita calor danado! Eita certeza de mudança...
Eita lembrança que fica! Ô ansiedade!!!!
E aí? O que você me diz? Qual é a sua dica para ser feliz?

E nem vem com esse papo que vou tentar uma nova dieta,

Vou emagrecer...Olha, é melhor ficar quieta...
Quero mesmo é saber o que você vai fazer
com a sua alma, com a sua luz, com o seu destino-
Eita menino indomável! Afinal de contas, ano novo,
vida nova! Clichês à parte, sua vida é a sua maior arte....

Karla Bardanza

sábado, 25 de dezembro de 2010

Árvore de Natal Poética


°Senhorquisera
neste Natal
armar
uma
árvore dentro do
meu coração e nela
pendurar, em vez de
*presentes, os nomes de*todos os meus°
amigos. Os amigos de longe e
°os de perto. Os antigos e os mais°recentes. Os que vejo a cada dia e os
*que raramente encontro. Os sempre lembrados*e os que às vezes
ficam esquecidos. Os
*constantes e os intermitentes.**Os das horas difíceis e os das horas**alegres. Os que sem querer magoei ou,*
*sem querer me magoaram. Aqueles a quem*°conheço profundamente e aqueles que me são°
°conhecidos apenas pelas aparências. Os que pouco°
me devem e aqueles
a quem muito devo. Meus
°amigos humildes e meus amigos°importantes. Os nomes de todos os
que já passaram pela minha vida. Uma
árvore de raízes muito profundas, para que


*seus nomes nunca mais sejam arrancados do*meu coração. De ramos muito extensos, para que
novos nomes, vindos de todas as partes, venham juntar-se
*aos existentes. De sombra*
*muito agradável, para que nossa°amizade seja um momento de repouso,
nas lutas da vida. Que o natal esteja vivo em cada dia
do ano novo que se inicia, para que as luzes e cores da vida
estejam presentes em toda a nossa existência e concretizem, com
°a ajuda de Deus, todos os nossos desejos. Feliz Natal!°
Feliz Natal!
Feliz Natal!
Feliz Natal!
Feliz Natal!

A todos os que me visitam: uma doce homenagem



Reino dos Gifs, muito mais gifs para você

Um agradecer muito carinhoso:

Ao João Lucas. que anda ausente, mas que me é tão importante, à Adejane, minha irmã muito querida, que me envolve de alegria e me presenteia com um saco de Papai Noel cheio de palavras lindas e que elevam, às nuvens, o meu astral.

À Carmem Lígia, aluna que não me deixou perdida nas esquinas de sua memória.

À Carla, a amada Carlota, a madrinha mais dedicada de minha neta, que, mesmo sumida, deixou profundas marcas neste espeço virtual com seus pequenos textos escritos com os ditames do coração.

À jornalista Nivia Andres que, embora apareça raramente, quando o faz, enche de brilho este espaço com suas sensíveis e certeiras palavras.

A todos vocês e os que, sempre ou esporadicamente, aparecem por aqui, desejo um FELIZ NATAL repleto de agradecimentos comovidos por terem colaborado para eu ser ainda mais feliz e encontrar motivos para dar continuidade a este blog.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O despertar de uma esperança

Reino dos Gifs, muito mais gifs para você


Este texto escrevi a convite de Nivia Andres que, a partir do dia 20 de dezembro, começou a publicar, no seu blog, uma série de contos e crônicas de Natal, chamada CENAS DO NATAL. De pronto aceitei o honroso convite porque vivera tudo o que relato, por isso, intitulei o meu conto de

"O despertar de uma esperança"

A noite estava quente. O céu, adornado por milhares de estrelinhas, enfeitara-se para anunciar que, dentro de dois dias, seria Natal. Da janela de um quarto de hospital de Porto Alegre, espiava a noite, enquanto velava o sono de meu menino que ali se encontrava há longos e sofridos meses. A tarde escorrera lenta, porque o vai e vem rotineiro de médicos e enfermeiras, tentando reter a vida de meu pequenino, como que anunciando um milagre, cedera espaço para uma presságica calmaria.

Ao longe, o grito, em desespero, de uma sirene anunciava esperança de vida ou agourava o desenlace de alguém. O meu coração, aos prantos, implorava que não fosse mais um inocente e outra mãe a passarem pela dor que me acompanhava há tanto tempo.

Existem certos sofrimentos que não podem ser abrandados com palavras de consolo. Somente o abraço solidário de alguém irmanado na dor pode mitigar as mazelas que parecem intermináveis e a dor, por nada se poder fazer por um filho, que fenece num leito de hospital, só se apazigua quando se encontra identificação com igual sofrimento.

Quase um ano se passara e o 25 de Dezembro já se engalanava, vestindo-se com as mais belas roupagens de festa. Aquela noite, antevéspera de Natal, servira como uma estranha provação à minha resistência física e gestara em mim uma inusitada crença de que algo aconteceria antes que os sinos badalassem, anunciando os cerimoniais natalinos.

Ao longe, um bling bleng blong festivo de alguma igreja chamava os fiéis à prece. Súbito, os meus pensamentos voaram até o altar onde imaginara estar ocorrendo uma celebração religiosa. O meu agnosticismo e a minha incredulidade homogeneizaram-se numa prece silenciosa, num desesperado pedido de socorro. Naquela hora, era uma mãe movida por um único e aflitivo pedido, que suplicava pela vida de seu filho tão indefeso. Que me fossem tiradas futuras alegrias, mas que, naquele Natal, pudesse voltar a sorrir e me fosse permitido retornar ao meu lar para, junto com meu marido e familiares, festejar o retorno à vida saudável de meu menino.


Foram tantas noites indormidas que aquela me parecera a menos longa porque acreditava que algo muito especial iria acontecer. Era tão intensa a convicção de que logo o meu garotinho deixaria, em definitivo, aquele leito hospitalar que, de inicio, apenas sorri, depois, um riso tênue foi quase se transformando em gargalhadas. Parecia que forças oriundas de mundos muito especiais tomavam conta de mim e, com elas, a certeza de que, no Natal, estaria em casa ou celebrando em algum lugar fora do hospital. O contumaz desânimo que, sorrateiramente, abatera-me, a partir daquela prece, feita numa igrejinha no não sei onde, uma mulher mais forte e com renovados ânimos tomou o frágil corpo do menino doente e, apertando-o de encontro ao coração, transmitiu-lhe a própria força, mentalmente acreditando que lhe estava restaurando a vida.

Os primeiros raios de sol, indiscretos, foram se infiltrando pelo alvo quarto de hospital. Um novo dia se anunciava. Nem mesmo a longa espera em frente à sala, onde o meu menino submeter-se-ia à longa e sofrida bateria de novos exames, conseguia arrefecer-me a esperança de que algo aconteceria. Não sei se o que se apossara de mim poderia ser chamado de esperança, convicção, amor de mãe ou que outro nome serviria para o que sentira desde aquela prece?

Nem mesmo os gritos desesperados de meu bebê ante todos os sofrimentos que lhe infligiam, tornavam-me menor a crença de que algo sucederia. Já de volta ao quarto, preparava-me para, passado mais um dia, receber o resultado de todos os exames a que o garotinho fora submetido. Uma única frase ecoava: tudo vai terminar bem. No início, como se alguém a soletrasse para mim: tu-do vai ter-mi-nar bem! Depois, como se cândidas vozes a entoassem numa suave canção: Tudo vai terminar bem!

Dizem que a solidão e o sofrimento tornam as mães seres indestrutíveis e que a crença que se derrama sobre elas fazem-nas seres especiais e iluminados. Naquela véspera de Natal era, exatamente, assim que eu me sentia. Transformara-me num ser poderoso, como se uma única pergunta aceitasse uma uníssona resposta: Se eu lhe dera a vida, não deveria encontrar as forças fundamentais para restaurá-la?

A fé de que algo muito especial aconteceria, martelava-me o cérebro e era somente nisso em que pensava. Dia e noite. Intermitentemente, naqueles dias que antecipavam o Natal. Nem a fome que, às vezes, sentia e que protelava em afastar-me para saciá-la com medo de perder o meu menino, há muito desaparecera porque me alimentava com aquela certeza.

Uma leve batida à porta. O meu coração, aos pulos, antecipou-se à ação. O médico que tratava de meu filho naquele interminável quase ano, sorrindo, aproximou-se de mim e, de supetão, interrogou-me: “Tu acreditas em milagres? Pois o Rodrigo está curado. Tu vais poder passar o Natal em tua casa.” Não me lembro se chorei. A cena de que me recordo é que me abraçara ao médico e o beijara agradecidamente. Este, comovido, chorava compulsivamente porque ele ainda acreditava em milagres.

Não voltei à minha terra tão distante da capital naquele Natal, mas, junto com o meu marido, irmão e irmã, que o acompanharam na esperança de retornarmos a casa, festejamos o renascimento do Menino da Virgem de forma inusitada. De carro, vagamos pela noite portoalegrense, uma capital sem assaltos e sem banditismos naquela época, visitando todas as igrejas que celebravam a Missa do Galo. Não nos sentíamos plenamente felizes, porque não tínhamos um lar para festejar e em paredes estranhas não seria a festa natalina que tanto sonháramos: a primeira como pais e tios.

Muitos anos já se passaram. Tantos natais já festejei, todavia, em cada noite natalina, os meus pensamentos retornam àquela igrejinha e, silenciosamente, refaço a mesma prece ditada pela força interior que para lá me conduziu. Nessas noites mágicas, recordo-me também daquele médico que, diante de tanta dor e sofrimento, nunca deixou de acreditar em Deus e em milagres.

Também eu, mesmo que tenha demorado a aceitar e a compreender, o que, realmente, aconteceu com o meu menino foi um doce milagre que ganhou forças e se corporificou porque era quase Natal... Desde então, em cada noite natalina, olho-o, agora homem feito e agradeço por bebês não terem consciência de todo o sofrimento por que passaram. Nesses momentos, lágrimas escorrem fugidias porque acredito que crianças jamais deveriam ser tomadas pela dor e desejo, piamente, que, para o meu e para todos os meninos e meninas, que, na infância, sofreram acometidos por estranhas ou terminais doenças, o Natal aconteça todos os dias...


Comentários sobre o meu conto de Natal


Fiquei tao feliz com o acolhimento do conto que escrevi para o Interface Ativa!, o blog da Nivia Andres, que não me aguentei: copiei cada um dos comentários que estão publicando lé e os arrastei para aqui.


Cada novo que escreverem, arrasto os cementários e os publicarei aqui.


Leiam que palavras lindas!




 Nivia Andres disse...
 
Bom dia, amigos e amigas!
FELIZ NATAL!
Na véspera do dia de Natal, tenho a emoção e o prazer de publicar um texto escrito especialmente para este blog por minha querida amiga Arlete Gudolle Lopes.
Confesso que foi um dos presentes mais lindos que já recebi. Um presente de amor que fala de amor. Amor do maior que existe. Amor maternal. Arlete expressou em palavras todo o seu sofrimento ao acompanhar o sofrimento de seu bebê. Palavras cheias de dor que, aos poucos se transformaram em palavras de esperança e enfim, palavras de alegria e puro júbilo, ao receber a notícia de que seu filhinho estava curado!
Esta sinfonia de palavras se faz acompanhar por um cântico de anjos, certamente os mesmos Querubins e Serafins que a acompanhavam no quarto do hospital, sustentando-a em sua aflitiva espera.
Tenho certeza de que os mesmos anjinhos ainda a acompanham, entoando canções celestes, cada vez que ela assenta-se ao computador e coloca no teclado as suas mágicas mãos, guiadas por uma mente abençoada que nos lega maravilhas em seu blog PALAVRAS AO VENTO!
 Sim, porque PALAVRAS DE ARLETE sempre enlevam a todos que a acessam, com mensagens de carinho, esperança, coragem, força e conhecimento profundo. Sim, porque Arlete é sábia. E transmite conhecimento e cultura gratuitamente.
Obrigada, querida Arlete, por este presente magnífico. E por deixar muito claro que milagres existem, sim, e são frutos do AMOR!
24 de dezembro de 2010 09:44
Blogger 
Prof Ms João Paulo de Oliveira disse...




Prezada articulista Arlete Gudole Lopes!


Parabenizo-a pela sua maravilhosa verve, que nos brindou com uma enternecedora crônica, alicerçada num momento cruciante da sua vida, que felizmente teve o desfecho auspicioso, fervorasamente aguardado, graças aos cuidados intensivos dos valorosos e pertinazes homens de branco, asseclas de Hipócrates, ocorrido num dia especial e cultuado por uma parcela significativa dos nossos semelhantes!

Calorosas saudações vigorosas e esperançosas!

Até breve...
João Paulo de Oliveira
Diadema-SP




Cristina disse...

Cara Sra. Arlete Gudolle Lopes.

Uma linda e emocionante história de natal a sua!.

Certamente naquele dia, o Papai Noel e seus auxiliares, estavam de plantão no hospital e ouviu as suas preces.

Nessas datas, enquanto as familias festejam o Natal e Ano Novo, há muitos anjos da guarda de plantão, trabalhando para salvar vidas e devolver a alegria a muitas mães, que sofrem ao lado de seus filhos, nos leitos hospitalares.


Feliz Natais para a senhora, para seu menino e toda a sua familia.


Carinhoso abraço

de dezembro de 2010 13:11










Lindo!!! Abraços, Arlete! E Feliz Natal
João










Blogger João disse...





Oi Nívia!
Passei o dia todo entre o forno e o fogão e só agora entrei, rapidinho pra te cumprimentar.
Bom ter entrado pois tive a oportunidade de ler esse conto enternecedor de tua amiga Arlete.
Um feliz Natal pra vc e toda a sua família, Que sejam abençoados hoje e sempre!!!!
João Batista



Blogger MACAU BANGKOK O MAR DO POETA disse...


Ilustre Escritora Arlete Gudolle Lopes,
Encantado fiquei com sua maravilhosa escrita, ao ir lendo cada frase, me senti como sentado junto a essa cama do hospital.

Minha esposa foi Ginecologista, e soube de casos igualmente felizes, onde o milagre se realizou.
A esperança a fé são sempre os últimos a morrer, e essa humilde mãe, sempre junto de seu adorado filho, tinha fé e forças, e Deus a ouviu e ajudou.

Esta bela cena, triste, mas feliz no seu final, acontece todos os dias no nosso quotidiano, suas letras, nesta altura do ano que o Natal se festejou, vieram dar mais coragem, mais alento, a todos aqueles que até aqui não acreditavam em milagres.

Só tenho que agradecer a maravilhosa leitura que me proporcionou.

Felizes aqueles que Acreditam.
Abraço amigo


Valentim Miron disse...

Por mais livros que nós lemos, por mais histórias que e nós ouvimos, nada se compara com a história da nossa própria vida.
Cada um de nós é coadjuvante das mais belas histórias de amor e de fé.
A história mais bonita que existe é a da nossa própria vida.
Quando achamos coragem suficiente para revelar a alguém a nossa história de amor e fé, nascem essas belas palavras de esperança como essa linda história da vida real que acabei de ler aqui.

Valentim Miron
Franca São Paulo
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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Aos maiores amores de minha vida: marido, filhos, filha, genro, neto e neta


Reino dos Gifs, muito mais gifs para você



Meus mais comovidos agradecimentos a estes seres muito especiais, estrelas iluminadas, que tornam a  minha vida tão linda como uma noite de Natal:

*Ao meu amado César Augusto por ter entendido e aceito a necessidade compulsiva que me impele a voar em busca de novos horizontes, por se conformar em ter, como rival, o trabalho e as fugas para um mundo só meu e que,  apesar de tantos encontros e desencontros, ter continuado a me aceitar com todos os meus defeitos e limitações.

*Ao meu adorável Rodrigo, por ter sabido ler as entrelinhas do que almejava concretizar e que, mesmo perdendo a paciência tantas vezes, tornou reais imagens, grafias, animações, deixando o visual de minhas palestras e cursos  único, belíssimo e inigualável.


*Ao Vinícius, meu doce menino, que creceu e, por não me dar conta disso, trato-o com mesuras e atitudes que fogem à realidade porque é mais fácil para mim ter essa visão ingênua do que o senti-lo tão distante de meu olhar.

*À filha mais linda do mundo, a minha Daniella, por tudo o que me proporciona,  por acreditar que "santa de casa faz milagres" e que, em sugestivos comentários, não se envergonha de demonstrar o quanto me admira e a tudo que faço.

*Ao Cesinha, o meu genro muito amado, por fazer o meu coração saltitar de alegria por todo o sucesso que vem alcançando,  o que, dentre tantos outras qualidades, enche-me de orgulho a ponto de eu me sentir mil vezes vencedora da Mega Sena acumulada.


* Ao Andrei, o netinho distante, por ter sido o primeiro e por jamais deixar vago o lugar que lhe é reservado  num pedaço muito grande de meu coração. Nem a distância tornou menor a importância dele em minha vida e o  desejo de tê-lo sempre perto faz parte de um doce  sonho.

*À minha Marianna, a netinha mais linda, com sua alegria contagiante, o seu bom humor, a afetividade, todo o seu encanto e beleza deram novos sentidos à minha vida e , através dela, poderei tornar possíveis muitos sonhos, longamente, acalentados.

Um Natal muito feliz a todos, que eu possa me tornar um ser  melhor para poder contribuir de forma mais significativa junto a cada um.

Arrume Tempo!


Recebi do meu Anjo Número Um, a Marli, este texto. Porque o achei lindo, Pimba! aqui está.

Arrume tempo para ser feliz.
É fundamental que você não repare apenas nas flores, mas tenha tempo para sentir seus odores e apreciar suas cores e, principalmente, disponha de tempo para oferecer uma flor para alguém.

Arrume tempo para a boa música.
É fundamental que você ouça uma boa música, mas mais importante ainda é deixar que a música flua e limpe a sua alma, que ela penetre no seu ser e que você viva cada nota.

Arrume tempo para relaxar.
Tenha tempo para se deixar levar pelas coisas simples da vida como meditar, orar, se emocionar, brincar no parque, andar de patins, de bicicleta ou simplesmente não fazer nada...

Arrume tempo para uma viagem.
Pode ser uma viagem curta ou longa, tudo depende de sua disposição, tempo e dinheiro. Mas, o mais importante é ter tempo para curtir a paisagem e não ficar esperando apenas pela chegada ao destino final.

Arrume tempo para uma boa leitura.
Leia um livro, mas tenha tempo para ler e viajar com os personagens até aonde a emoção puder levá-lo.

Arrume tempo para organizar-se.
É fundamental ter tempo para organizar suas coisas, mas é fundamental ter um tempo para organizar suas ideias, seus desejos e reciclar seus sonhos. Sonhos parados são como água estagnada, criam limo, parasitas e doenças.

Arrume tempo para a família.
É fundamental criar os filhos, namorar (mesmo depois de 30 anos de casados), bater papo com os pais, com os irmãos, com os amigos mais próximos. Mas é muito importante que você não guarde mágoas, por isso a conversa ainda é a melhor resposta contra as dúvidas, dores e separações.

Arrume tempo para Deus.
É fundamental contar com Deus. Seja qual for sua crença, seja qual for sua religião, sem Deus é impossível ser plenamente feliz. Quanto tempo de sua vida é dedicado a Ele? Quantos "minutinhos" você dedica à leitura de um salmo, um versículo, uma passagem da Bíblia para meditar e praticar mudanças? Quanto de suas decisões tem a opinião de Deus?

Arrume tempo para o amor.
Ame-se!
Ame muito.
Não se importe com as dores e decepções do amor. Infeliz é aquele que ainda não viveu um grande amor, e todo amor fica enorme quando você respeita o sentimento que habita em você e existe para fazê-lo feliz!

Arrume tempo para você.
Sem medo de ser feliz!

Autor: Paulo Roberto Gaefke


Amigo visitante!



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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Para os meus visitantes solteiros

Aos meus queridos ANJOS : Um Feliz Natal Antecipado!



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A simples homenagem que presto aos meus dois Anjos é para dizer-lhes o quanto foram importantes em minha vida, neste ano de 2010.

O  meu ANJO NÚNERO UM porque não permitiu que nenhum deslize tornasse menor este blog. Sempre alerta, nada lhe escapou: nenhuma vírgula, nenhuma grafia errada, nem um acento poderia faltar. Tudo o que destoasse do certo apresentava-se ao seu olhar atento e, a qualquer hora em que os percebesse, denunciava-os, tornando-se uma quase co-autora de minhas postagens.

O ANJO NÚMERO DOIS porque, mesmo nos momentos de declínio do que postei ou quando as mensagens eram pouco interessantes, jamais desistiu de me visitar e tecer, sob elas,  os seus adoráveis comentários.Quanta satisfação me causou com doces palavras de incentivo. Todavia, mesmo que demorasse um pouco, voltava aqui para me induzir a manter aceso este vínculo virtual, que tanto prazer me proporciona.

Amigos queridos!

Que a felicidade, o amor, a paz, a saúde, os amigos sinceros e uma boa grana sejam permanentes na vida de vocês, do esposo (do Número um) e da esposa (do Número Dois). Que todos esses desejos se estendam aos demais membros da família de cada um.


Um Feliz Natal e um 2011 ainda melhor do que o ano que se despede!

SHOW DE SOU CARIOCA COM MUITO ORGULHO!

Olhem com o que o meu primo americano/carioca/gaúcho me mandou:

Na retomada da vida e no renascimento do Rio de Janeiro uma iniciativa muito bonita da TAP.

Pena que não tenha sido uma iniciativa nossa, mas isto deveria ocorrer todos os dias no Rio, principalmente nestes tempos que antecedem a copa 2014 e as olimpíadas 2016.

Espero que nós, os cariocas, consigamos extirpar de nossas entranhas o câncer do crime organizado e do tráfico de drogas e o Rio possa voltar a ser a cidade maravilhosa em toda a sua plenitude.

Parabéns a todos os Cariocas!!!

Surpresa no Aeroporto do Galeão. Lembram-se do show realizado pela TAP no Aeroporto de Lisboa? Pois vejam o que ocorreu no Galeão!


A Virgem e a vaca

Nesses dia tensos que antecedem o Natal, rir ainda é uma ótima saída.



A família jantava tranquila quando, de repente, a filha de 11 anos comenta:
-Tenho uma má notícia.... Não sou mais Virgem ! Sou uma vaca !


E começa a chorar, visivelmente alterada, com as mãos no rosto e um ar de vergonha.

Silêncio sepulcral na mesa. De repente, começam as acusações mútuas:
-Isto é por você ser como é! - marido dirigindo-se à mulher
- Por se vestir como uma puta barata e se arreganhar para o
primeiro imbecil que chega aqui em casa.
Claro que isso tinha que ocorrer, com este exemplo que a
menina vê todo dia!


- E você - pai apontando para a outra filha de 19 anos - que
fica se agarrando no sofá e lambendo aquele palhaço do teu
namorado que tem jeito de viado.
Tudo na frente da menina !


A mãe não aguenta mais e revida, gritando:
-E quem é o idiota que gasta metade do salário com as
putas e se despede delas na porta de casa?
Pensa que eu e as meninas somos cegas?
E além disso,que exemplo você pode dar se, desde que
assinou esta maldita TV a cabo, passa todos os finais de
semana assistindo a pornôs de quinta categoria!?


Desconsolada e à beira de um colapso, a mãe, com os olhos
cheios de lágrimas e a voz trêmula, pega ternamente na
mão da filhinha e pergunta baixinho:
-Como foi que isso aconteceu, minha filha?


E, entre soluços, a menina responde:

- A professora me tirou do presépio!

A Virgem agora é a Vanessa, eu vou fazer a vaquinha...