domingo, 1 de maio de 2011

A natureza pede socorro!


A chuva cai lá fora. O céu acinzentado, típico dos dias de outono, sempre me parece entristecido e a água, que verte do espaço, assemelha-se a lágrimas como se para denunciar quem causou tanta safadeza e desmandos aqui na Terra. Às vezes, pressinto-a como pranto de alegria a anunciar que o que fenece, murcha e morre, renascerá outra e outras vezes. Tantas e reiteradas, que os insensíveis já não mais percebem a beleza que jorra aos borbotões em prenúncio de vida nova.

A mesma chuva que castiga aqueles que agridem a natureza, os que se apropriam, por carência ou ambição, dos espaços protetores de rios e montanhas, tira-lhes a vida, numa espécie de castigo e aviso de que as terras ocupadas não lhes pertencem, renova os campos, faz brotar o alimento e colore a vida de flores. O mundo produtivo parece ignorar o grito da Terra, que se revolta e mostra aos homens que, se não pararem de ocupar áreas ribeirinhas, assoreando rios e desmatando suas encostas, seus vales, suas matas ciliares, poluindo os mares, apossando-se do inocupável, hecatombes eclodirão por toda parte.

O Brasil, um país continental, rico em florestas e rios, por ganância de alguns e ignorância de outros, já dizimou tanto espaço verde, dentre eles, a Mata Atlântica e continua devastando a Amazônia. Como resultado dessas ações insanas e o descuido em suas cidades, onde o lixo invade bueiros, empesta os rios, enchentes devastadoras e sazonais ocorrem em todos os estados brasileiros. Medidas urgentes devem ser tomadas, mas será que a alteração do Código Florestal não agravará ainda mais esse problema reincidente?

A natureza pede socorro e se faz mister cada um denunciar ou fazer a sua parte, nem que seja numa pequena e repetida atitude como a seleção do lixo doméstico. Se nada for feito, a água que verte do céu, enfurecida, mutar-se-á em violentas tempestades, que se repetirão, cada vez mais intensamente. Morros e montanhas se dissolverão com merengue em dia de muito calor. Rios, instigados pela inconsequência das más ações humanas, fugirão de suas origens e devastarão tudo o que de frágil encontrar. Nessa aparente fragilidade, estão os carentes, pessoas que constroem as suas casas em áreas de risco e, pela inépcia ou omissão das autoridades, que as deixam permanecer nesses locais de grande periculosidade, além de degradarem a natureza, perdem o seu bem mais valioso, as próprias vidas. Contra tudo isso, a natureza está fazendo o seu alerta e, se nada for feito, tenderá a piorar. Quem viver verá!

A chuva que cai do céu, agora, assemelha-se a um desesperado pedido da natureza: não me roubem o verde dos campos, deixem os morros, os montes e as montanhas como se apresentaram aos olhos dos homens. Não poluam as minhas águas, estejam em lagos, em rios ou no mar. Não deixem morrer as minhas flores... Pensem nisso.

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