terça-feira, 16 de março de 2010

O último Discurso de "O Grande Ditador"- Charlie Chaplin




O último discurso de “O Grande Ditador”

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!



2 comentários:

  1. Arlete,estive fora alguns dias,achei esta "perola":"Era uma vez uma ilha onde moravam todos os sentimentos:a ALEGRIA,a TRISTEZA,a VAIDADE,a SABEDORIA,a RIQUEZA,o AMOR e outros.Um dia avisaram para os moradores da ilha que ela ia ser inundada.Apavorado o AMOR cuidou para que todos os sentimentos se salvassem.Ele disse "Fujam,a ilha vai ser inundada".Todos correram e pegaram os barquinhos para irem até o morro bem mais alto.Só o AMOR não se apressou,ele queria ficar um pouco mais com sua ilha.Quando já estava quase se afogando,correu para pedir ajuda.Vinha vindo a RIQUEZA e ele disse"RIQUEZA,me leva com você" Ela disse:"Não posso,meu barco está cheio de ouro e prata,você não vai caber".Passou então a VAIDADE e ele pediu "VAIDADE,me leva com você"A VAIDADE respondeu,"Não posso,você vai sujar meu barco novo"Os outros sentimentos também se negaram a transportar o AMOR.J´s desesperado e percebendo que iria ficar só,o AMOR começou a chorar.Daí passou então um velhinho e falou:"Sobe AMOR,eu te levo".Chegando no alto do morro,o AMOR perguntou a SABEDORIA:"SABEDORIA,Quem era o velhinho que me trouxe até aqui?E ela respondeu:"O TEMPO".O AMOR disse:"TEMPO!Mas porque só o TEMPO me trouxe até aqui?"Porque só o TEMPO é capaz de ajudar a entender um grande AMOR". Gostou? um pouco longo.Foi escrito por André Mecatti.Fiz um pedido e ainda não fui atendido..

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  2. Olá, amigo!
    Também estive fora. Fui conhecer Brasília em companhia de minha filha, genro, neta e marido. Por sorte, o presidente viajandão estava no "ar"!
    Achamos a capital muito linda apesar de ter se transformado num canteiro de obras. O que nos surpreendeu foi que parecíamos ser os únicos visitantes da cidade. (Quando JK, Oscar e Flavio planejaram-na, estrategicamente a construíram de formas a afastar o povo de suas ruas. Lá não há calçadas. A pessoa que é vista, significa que está realizando algum trabalho ou tipo de reparo qualquer...)
    Quanto ao texto acima, é muito bonito.
    Um abraço.

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