domingo, 11 de julho de 2010

Forca aos culpados?


Torcedor também se sente culpado por derrotas

Recebi este texto de Joaquim Luiz, um dos muitos amigos que já fazem parte de minha vida virtual. Quando deixam de me enviar mensagens, fico preocupada. O silêncio deles pode ter desastradas interpretações: cansou de compartilhar comigo o que acha interessante? Estará doente ou morreu?

Tudo é possível quando o que separa pessoas que teceram, solidamente, os laços da afetividade e têm, entre si, essa barreira inexorável, a distância.

O texto induz à reflexão como todos os textos e músicas que recebo de Joaquim.O que tenho em comum com este meu amigo é a delicadeza em repassar aquilo de que realmente gosta. Como eu também faço. Se acho chato, pouco interessante, não envio para mais ninguém. O que não é bom para mim, acredito, não o será para quem admiro. Às vezes, erro que sou falível, felizmente, ou reenvio algo que gera melindres.

"Não adianta colocar a cueca da sorte, ficar na posição em que saiu o primeiro gol, rezar. O time não perdeu porque foi mais simpático ou menos simpático. Perdeu porque perdeu. Dos 64 jogos, faltam só quatro para o final da Copa. O último deles será, no maior grau, o que vários outros já foram: uma tentativa de ordenar o caos. De explicar a vida. Ainda que seja, como todos os outros, apenas um jogo.

A pior coisa depois da eliminação é o sentimento de culpa. Para os jogadores, é compreensível. Mesmo que não tenham sido culpados, eles estavam lá.

E o que acontece nesses campos se multiplica infinitamente. Ele perdeu o pênalti mais importante da história do país. Ele errou o chute mais importante da história do continente. Ele se atrapalhou, perdeu a cabeça, ficou marcado.

Todos se dedicaram ao máximo, com as melhores intenções. Queriam tanto vencer. Deram o melhor que tinham. Mas vão ficar marcados pelo pior.

E os torcedores nessa história? Quantos não estão se sentindo um pouco culpados também? "Se eu não tivesse mudado de lugar. Se eu tivesse vestido minha camisa da sorte. Se eu não tivesse parado de gritar".

Sintam-se todos absolvidos. Vocês não tinham o que fazer. Talvez o pensamento positivo tenha algum efeito, mas seria facilmente anulado pelo pensamento positivo da torcida adversária.

Porque fulano é pé-frio, beltrano é pé-quente. Bobagem. Somente a soma de todos, no estádio, gritando, poderia inflamar o time e ter algum efeito. Mesmo assim, sem garantia de sucesso. Mesmo assim, ainda dependeria dos jogadores.

O indivíduo, o torcedor é refém do jogo de futebol. Talvez, por isso, torcida seja tão parecida com desespero.

Não adianta colocar a cueca da sorte, ficar na posição em que saiu o primeiro gol, rezar. Você acha que um pai iria torcer por um filho para ver o outro perder?

O jogo vai ser decidido dentro de campo e a gente não pode fazer nada para mudar o resultado. Assim como os próprios protagonistas do futebol só vão ganhar ou perder pelo que fizerem naqueles minutos, entre o pontapé inicial e o apito final.

Fora do campo, eles podem apenas se preparar para aqueles minutos. Tirando isso, são tão torcedores quanto nós.

O time não perdeu porque foi mais simpático ou menos simpático. Não perdeu porque deu mais entrevista ou menos entrevista. Não perdeu porque foi marrento ou humilde, discreto ou falastrão. Não perdeu porque foi sério ou brincalhão. Assim como não ganharia por nenhum desses motivos.

Perdeu porque perdeu. Dentro de campo, o adversário foi mais eficiente, deu mais sorte, seja o que for. Mas a derrota foi dentro de campo. Não levamos um gol da vida e outro gol da Holanda. Levamos dois gols da Holanda.

Os gols da vida são contados para o jogo da vida. Os gols do futebol são contados para o futebol. E que ninguém venha misturar as coisas."

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