domingo, 5 de setembro de 2010

André Rieu em Toscana

André Rieu regendo trechos de Rigoletto, Traviata, Carmen, Aída e mais... Confiram.



Perceberam?

Porque hoje é domingo, "exagerei" nas postagens, não?


Ah! Aceito sugestões para postagens mais interessantes! Vocês são meus parceiros nesta "brincadeira" que revira e aquece o meu coração!

Relógio do coração

Como queria ter escrito o texto do vídeo! Apenas ponho em dúvida a autoria. Tenho e já li todos os livros do Mario Quintana e não recordo de ter me deparado com este. Ou me está falhando a memória!

sábado, 4 de setembro de 2010

Coisas fora de moda'


Se não estivesse tão fora de moda, eu iria falar de "Amor”. Daquele amor sincero, olhos nos olhos, frio no coração, aquela dorzinha gostosa de ter muito medo de perder tudo... Daqueles momentos que só quem já amou um dia conhece bem... Daquela vontade de repartir, de conquistar todas as coisas, mas não para retê-las no egoísmo material da posse, mas para doá-las, no sentimento nobre de amar...

Se não estivesse tão fora de moda, eu iria falar em "Sinceridade"... Sabe, aquele negócio antigo de fidelidade, respeito mútuo e aquelas outras coisas que deixaram de ter valor… Aquela sensação que embriaga mais que a bebida, que é ter numa só pessoa, a soma de tudo que, às vezes, procuramos em muitas...

A admiração pelas virtudes e a aceitação dos defeitos, mas, sobretudo, o respeito pela individualidade, que até julgamos nos pertencer, mas que cada um tem o direito de possuir... Se não estivesse tão fora de moda, eu iria falar em "Amizade”. Na amizade sincera que deve existir entre duas pessoas que se querem bem...

O apoio, o interesse, a solidariedade de um pelas coisas do outro, e vice-versa. A união além dos sentimentos, a dedicação de compreender, para depois gostar... Se não estivesse tão fora de moda, eu iria falar em "Família”. Sim... “Família”... Essa instituição que, ultimamente, vive à beira da falência, sofrendo contínuas e violentas agressões:
pai, mãe, irmãos, filhos, casamento, lar...

Família…, aquele bem maior de ter uma comunidade unida pelos laços sanguíneos e protegidas pelas bênçãos divinas… Um canto de paz no mundo, o aconchego da morada, a fonte de descanso e a renovação das energias, realização da mais sublime missão humana de sequenciar a obra do Criador... E depois eu iria, até quem sabe, falar sobre algo como... a "Felicidade".

Mas é uma pena que a felicidade, como tudo mais, há muito tempo, já esteja tão fora de moda e tenha dado seu lugar aos modismos da civilização…

Ainda assim, desejo que sua vida seja repleta dessas questões tão fora de moda e que, sem dúvida, fazem a diferença!

Desconheço o autor

Comercial indiano

Adoro este comercial. Venho usando-o em minhas palestras e, em qualquer lugar que me apresente, sempre agrada a quem o assiste. Não é à toa que o cinema indiano faz sucesso tanto na produção de filmes quanto de comerciais.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Julio Iglesias

Adoro Julio Iglesias e, neste vídeo, há lindos boleros para dançar. (Será que as pessoas ainda sabem dançar?)

Comece agora...


"A amar. A pensar melhor.
A fazer algo de bom.

A estudar mais.

A trabalhar com propósito.

A respeitar a si mesmo.

A diminuir o ódio.

A exterminar com a injustiça.

A semear virtudes.

A pensar para falar.

A fazer algo para ajudar.
A observar a vida nos mínimos detalhes.
A compreender mais.
A acreditar em si mesmo. A
realizar sem esperar.
A adquirir princípios. A dizer a verdade. A aprender a falar e calar. A gostar das crianças. A respeitar os mais velhos. A viver o presente. A esquecer o mal. A propagar o bem. A preservar a natureza. A respeitar a dor alheia. A ouvir e compreender. A não ser vulgar. A ser simples e leal. A gostar da vida. A ser, acima de tudo, gente A pensar para acertar. A calar para resistir. A agir para vencer."

(R. Stanganelli)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Besame mucho

Um pouco de Andrea Bocelli.

Histórias que vivi 8


A história que vou contar hoje não deixa de ser mais uma de minhas trapalhadas só que, nesta, o meu espírito brincalhão, deu-me uma bela rasteira.

Estudava em Santa Maria no Colégio Estadual Manoel Ribas, educandário considerado um dos melhores do Brasil à época, durante as manhãs. À tarde, frequentava o curso de francês na "Aliança Francesa". Na minha turma, havia jovens e adultos de ambos os sexos e oriundos de diversas cidades do estado. Dentre eles, escolhi, para minha companheira de trabalhos, uma freira adorável e gorducha de Jaguari. De origem italiana, não conseguia livrar-se do sotaque, o que lhe dificultava a pronúncia da língua de Victor Hugo. Tentava auxiliá-la de todas as formas, mas confesso que foi uma batalha quase perdida.

Num dos momentos em que a direção do curso proporcionava para ampliarmos a conversação em francês, a professora titular, por um problema em família, avisou que demoraria a chegar. Aproveitamos para trocar ideias e discorremos sobre os mais variados assuntos. Entre os colegas, havia um francês, nascido em Paris e que se achava o máximo. Estava sempre nos desafiando a traduzirmos determinadas palavras ou vertê-las para o idioma dele. Uma foi cartomancia. Nenhum de nós sabia. Conversa vai, conversa vem, caio na asneira de afirmar que sabia ler o futuro nas mãos, portanto dominava a quiromancia. (Traduzindo: quiromancia vem de quiró = linhas das mãos). Riso geral.

Para confirmar o que dissera, solicitei à freira de Jaguari que me permitisse revelar, através das mãos, a vida dela. Como tudo era brincadeira, a dócil irmãzinha, sem vacilar, estendeu-me a mão direita. Fingi que me concentrava, fiz o sinal da cruz para pedir ajuda aos céus e comecei: “Aos quatorze anos, tu tiveste a primeira decepção amorosa.” Continuei, olhando para os olhos dela como se estivéssemos hipnotizadas: “Tu eras bem magrinha. Foi desde esse momento que tu começaste a comer demais e foste ficando gorda.” A freirinha começou a tremer e o branco de seu rosto foi se transformando em um rubro vivo. Implacável, como uma bomba, fui detonando coisas. A sensação que eu tinha era de que lia os pensamentos dela.

Falei dos problemas que tivera com a mãe e uma irmã. Disse tanta coisa sobre comportamento, relação com as outras freiras e arrematei com algo mais ou menos assim: “Inclusive, tu entraste para o convento para esconder o enorme amor que sentias pelo teu primo e que casou com tua irmã!” Tive que parar com a ladainha, porque a infeliz freirinha desatou num choro incontrolável e, ainda chorando, indagou-me sem meias palavras: “Quem é que te contou essas coisas de minha vida? Só a minha mãe é que sabia e ela já morreu!”

Virgem Maria! Quem começou a tremer, apavorada, fui eu. Assustada, disse-lhe que estava brincando e que inventara tudo aquilo. Difícil foi convencer aos demais colegas de que eu simplesmente ia dizendo coisas sem pensar e, desesperada, implorava que não levassem a sério o que dissera. Tudo não passara de invencionices minhas. Brincando, revelei segredos escondidos a sete chaves. Relatei situações tão verdadeiras conforme a quiromanciada, que somente a Parapsicologia poderia explicar. Sem querer, infelizmente, atingira, em cheio, uma pessoa a quem dedicava muito carinho

Por muito tempo, estudamos o que se passara entre nós. Telepatia? Apenas casualidade? E a precisão do discorrido? Acertei em tudo o que fingi ler na mão gordinha de minha amiga religiosa. O que realmente acontecera entre nós?

Daquele momento em diante, passei a acreditar que, no cérebro humano, há milhares de neurônios não ativados. Passei a acreditar, também, que ambas, inconscientemente, queríamos nos amparar na amizade sincera e confiante que nascera entre nós. Ela, infeliz com seu problema físico-ético-religioso e eu, com minhas tormentas porque estava com as mensalidades do curso atrasadas e não sabia como pagá-las... Ambas estávamos fragilizadas e infelizes. Portanto, foi mais uma de minhas trapalhadas, com a diferença de que esta ultrapassou os limites do imaginável.

Ah! Existem outros fatos nessa linha de arrepiar os cabelos e fazer nascer pelos em cabeça de careca.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Histórias que vivi 7

Desde os primeiros anos de minha escolarização, o meu maior sonho era ser médica. Credito à história, que narrarei a seguir, a descoberta de minha vocação como educadora. Foi no desenlace do acontecido que pude verificar uma realidade que não ouso questionar: quando deixamos falar o coração, mesmo devendo calar a razão, o sucesso do que nos propomos realizar ou decidir é cem por cento garantido.

Era o segundo ano que atuava como professora no curso noturno do Cristóvão Pereira, a melhor escola estadual da cidade. Caíra no magistério de paraquedas, ou seja, por ter domínio do francês, que aperfeiçoara na "Aliança Francesa, cursado em Santa Maria, fui convidada a lecionar esse idoma naquele colégio. Com jeito e cara de menina, era muito jovem, mas adulta no modo de agir. Sem nenhuma chance de erro, era bem mais nova do que a maioria de meus alunos. Fazia de tudo para não cometer deslizes e me ver desmoralizada junto a eles.


Como a maioria dos estudantes da turma, em que este fato aconteceu, era de adultos, muitos deles e delas, alguns já casados e todos, para cursarem o curso noturno, deveriam trabalhar durante o dia. Por essas razões, manter o interesse e a disciplina era uma atividade fácil e prazerosa.

Na metade do ano, transferido de Porto Alegre, apresentou-se um jovem, se não me engano, com a minha idade. E metido a gostosão. Segundo as más línguas, era chegado a uma caninha. Outros afirmavam que viera da capital “corrido” pelos pais por ser usuário de drogas. Difícil de acreditar, pouco comum naqueles tempos, mas... Como nas redondezas da escola havia um bar, fora informada por alguns colegas de que ele “matava” aulas para “molhar o bico” naquele estabelecimento.

Fui convocada para uma reunião de professores, aqueles encontros chatérrimos que só servem para massagear o ego dos chefões da escola, porque, se dessem lucro, a educação, no Brasil, pontuaria entre as melhores do mundo. O contrário é uma realidade gritante. Sair-se bem nos estudos, naqueles tempos, o mérito não era creditado só aos professores. Os alunos faziam por merecer o aprendizado e se esforçavam para progredir. Caso contrário, a reprovação era a única certeza.

Foi nessa reunião que recebi, junto com os demais professores, a informação da diretora, a que todos deveríamos, religiosamente, cumprir, de que, a partir do mês de setembro, os portões da escola manter-se-iam fechados no período de aulas, inclusive no noturno. Recebera queixas de que muitos estudantes estavam se embriagando no bar e Henrique, este era o nome do novato, era um deles. Foi incisiva: nenhum aluno poderia abandonar as salas de aula e o recinto escolar a não ser por motivo muito bem justificado.

O dramalhão aconteceu numa noite de chuva. Lá fora, os raios brincavam de esconde-esconde e os trovões gritavam: achei! A estrondo destes era tamanho que a luz apagara-se várias vezes. Todo mundo sabe o quanto os alunos e entre eles eu (não vou fingir, pois, para santa, nunca tive vocação!) ficávamos torcendo que a luminosidade não retornasse para podermos voltar para casa mais cedo.

Para azar de todos, a luz retornou. Estava no meio da aula, quando o Henrique pediu para sair. Alertei-o de que não lhe daria permissão. O jovem mancebo deve ter sentido os brios arranhados. Com a maior arrogância, disse-me assim com todas as letras: “Eu vou sair! Tu deixe ou não!” Foi naquela hora que eu me testei: se eu tiver que continuar como professora, tenho que achar uma saída! Sabia, de antemão, que o guri queria era ir até o bar. Um dilema. Se o deixasse sair, estaria me desmoralizando com os estudantes e dar-me-ia mal com a diretoria da escola. Tentei argumentar que a aula logo findaria.

Que nada! O rapaz estava irredutível! “Se eu não sair, vou mijar aqui na sala!”, disse quase gritando. Eu: “Então, mija!” Sem a menor cerimônia, o jovem mal educado e rebelde, dirigiu-se ao fundo da sala e concretizou o prometido. Silêncio geral. Só se ouvia o barulho da urina de encontro à parede. Aos meus ouvidos soava com a mesma intensidade dos trovões que rosnavam no céu, tirando a calma da noite.

O que fazer? Naquele tempo, expulsava-se aluno da escola por qualquer motivo e o que Henrique estava fazendo, ultrapassava os limites da decência e dos bons costumes. A classe inteira fazia silêncio absoluto. Os alunos apenas me olhavam e eu olhava para eles. Acredito que mais branca que o mais branco dos fantasmas.

Foi no momento de desespero que ouvi, ressoando no corredor, a voz da Vanda, uma funcionária encarregada da faxina e com quem mantinha profundas relações de afeto. Dirigi-me à porta, percebi que estava com balde, pano e vassoura nas mãos. Chamei-a e lhe pedi que me emprestasse as “armas de trabalho”.

Fingindo uma calma que jamais imaginei ter, com balde e pano de faxina nas mãos, caminhei até o aluno mijão, dizendo-lhe sem vacilar: “Agora, por favor! Pega este pano, este balde e limpa a porcalheira que tu fizeste!” Pego de surpresa, pois acredito que imaginara que eu iria chamar alguém da direção para resolver o impasse, sem retrucar, apanhou o pano e começou a limpeza.

Ouvia-se a respiração ofegante dele, o barulho da água retornando ao balde quando torcia o pano. Retumbava aos meus ouvidos como um som de tambor africano em tempo de guerra, associado ao martelar rápido e incontrolável de meu coração. Repetiu o ato calmamente e por várias vezes como se estivesse a me provacar. Foi o erro estratégico dele.

Enquanto assim agia, pude raciocinar e controlar o meu disparado coração, que, àquelas alturas, há muito chegara ao pódio da vitória. Depois, caminhando em minha direção, articulou em voz baixa: “Pode me levar pra direção!” Associei o recado dele como um desesperado pedido de socorro. Por termos quase a mesma idade, naquele momento, entendi o que poderia estar sentindo.

Com as palavras mais suaves que consegui articular, consegui dizer: “Tu já foste desculpado, quando concordaste em limpar a tua própria sujeira.” Foi então que ouvimos o rumor de palmas. No início, tímidas, depois, num crescente, soavam como o som dos trovões que se misturavam à chuva que caía lá fora.

Chegando perto de mim, acreditei que iria me bater ou agir de modo agressivo. Mas não! Estendendo as duas mãos espalmadas como quem reza, pediu-me desculpas. Um a um, todos os colegas se levantaram e, abraçando Henrique, diziam-lhe alguma coisa. Depois, acercavam-se de mim, elogiando o meu desempenho e o final feliz de uma situação que poderia ter se tornado desastrosa.

Então, comovida, percebi que ali era o meu lugar. Descobrira, finalmente, a minha verdadeira vocação. A Medicina, com que tanto sonhara, era, a partir daquele momento, uma página virada em minha vida.

O Henrique?

Formou-se, casou e foi cuidar da farmácia de um tio em Santo Ângelo. Se teve filhos, não sei. Por muitos anos, às vésperas de Natal, recebia um lindo cartão com significativa mensagem e que encerrava sempre com estas palavras: "Minha Salvadora! Abraços. Henrique". Escondia, com extremo cuidado, o doce agradecimento desse aluno com medo de ser mal interpretada por meu ciumento marido.

Já faz um bom tempo que não recebo mais esses mimos dele. Senti-lhe a "ausência" na mesma intensidade de quando se perde um grande amigo. Em cada Natal, lembro-me com carinho dele e me dou conta do que afirmei no início deste relato. "O coração tem razões que a própria razão desconhece".

Na noite mágica natalina, em que as pessoas se sentem seres especiais e privilegiados, feliz, abraço os meus afetos, mas uma incômoda dúvida reaparece: "Henrique se esqueceu de mim ou terá morrido?"

Não corra atrás das borboletas...